Os extractos vegetais na medicina tradicional
Há já milhares de anos que as plantas constituem o método privilegiado, e tantas vezes único, no tratamento de muitas doenças, tanto nos homens como nos animais.
Ainda não há muito tempo as plantas e as substancias químicas eram colocadas em
oposição, mas actualmente esta situação tem tendência a modificar-se, de facto elas podem e devem subsistir pois muitas vezes são complementares.
As plantas transformadas em pó eram utilizadas, misturadas nos alimentos ou sob a forma de infusão. O problema é que muitas vezes devido ao modo empírico como eram preparadas eliminavam os princípios activos benéficos que possuíam.
O evoluir do conhecimento e da prática, conduziram à identificação das plantas e posterior preparação da(s) parte(s) das plantas que contêm os princípios activos, com propriedades terapêuticos.
Rosmarinus Officinalis (alecrim)
Habitat: Europa, litoral mediterrânico ; charnecas e pinhais do Centro e Sul de Portugal; até 1500m. Os atributos do alecrim datam do século XVll e vêm da Europa Central. Segundo a lenda a rainha Isabel da Hungria terá recuperado a saúde e rejuvenesceu graças ao alecrim.
É utilizada a extremidade das folhas.
- Tem acção coleréctica e colagoga, diurética e anti-espasmódica ao nível do intestino e o estômago,
- As acções atrás descritas, fazem com que o Rosmarinus Officinalis seja tradicionalmente recomendado, em casos de insuficiência hepática, litíase biliar, astenia e perante alterações da motilidade intestinal, como na diarreia.
Cynara scolymus (alcachofra)
Habitat: Norte - África foi introduzido na Europa pelos antigos Gregos. Os benefícios da alcachofra foram registados pela primeira vez por um discípulo de Aristóteles no século IV a . c.
É utilizada a parte da folha próxima da flor.
Tem uma acção coleréctica e colagoga, diurética, laxativa, estando por isso recomendada, a sua incorporação na dieta, como coadjuvante terapêutico:
- nas afecções hepato-renais,
- no combate à obstipação, resultante ou concomitante com uma insuficiência hepática,
- na hiperuricémia (gota elevada).
Orthosifon (chá de java)
Habitat: Sudeste da Àsia, Java. A infusão do chá-de-Java é um medicamento muito antigo na Indonésia e na Índia, utilizado nas doenças dos rins e bexiga. Só foi conhecido na Europa a partir dos finais do século XIX.
Utiliza-se toda a planta.
Tem uma acção calmante das dores renais, diurética, colagoga. O que associado à sua acção positiva sobre a capacidade drenante, faz com que esteja igualmente recomendada, a sua incorporação na dieta, como coadjuvante terapêutico:
- na prevenção das recidivas das cólicas renais.
Pneumus boldus (Boldo)
Habitat: Vertentes soalheiras do Chile. Os índios dos Andes sempre as utilizaram, pelas suas propriedades como estomáquico e carminativo.
Utiliza-se toda a folha.
- Possui propriedades colarécticas (favorecendo a evacuação de cálculos biliares) e colagoga (favorecendo a digestão). O que faz com que esteja igualmente recomendada, a sua incorporação na dieta, como coadjuvante terapêutico:
- em caso de sobrecarga hepática, de litíase biliar, bem como nas infecções urinárias e cistites.
Combretum micranthum (Kinkeliba)
Habitat: Senegal, Guiné. As folhas são consumidas diariamente ao pequeno almoço, pelas famílias Guinéenses, após serem fervidas, e também mascam as folhas jovens assim que sentem os primeiros sinais de paludismo.
Só são utilizadas as folhas da planta.
Possui propriedades diuréticas e colagoga (favorecendo a digestão). O que faz com que esteja igualmente recomendada, a sua incorporação na dieta, como coadjuvante terapêutico:
- em caso de problemas de fígado, das vias biliares, e ou de problemas gastrointestinais.
RESUMO DA ACTIVIDADE DOS EXTRACTOS VEGETAIS PLANTAS
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DIURÉTICO
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COLAGOGO
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COLERÉTICO
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ANTIDISPÉPTICO
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KINKELIBA
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FORTE
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FORTE
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CYNARA
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MÉDIA
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FORTE
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FORTE
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ORTOSIPHON
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FORTE
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MÉDIA
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MÉDIA
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ROSMARINUS
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MÉDIA
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FORTE
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MÉDIA
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BOLDO
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MÉDIA
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FORTE
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MÉDIA
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Sorbitol:
Aparentado com a glucose só é utilizado pelas células do tecido hepático. Administrado por via oral 80 a 85 % da dose é absorvida ao nível do intestino. É uma importante fonte de energia facilmente assimilável e disponível.
Eliminação: Parte é eliminada por via urinária e o resto é metabolizado ao nível hepático sobre a forma de frutose
Lisina:
Ácido aminado que é um constituinte essencial nas dietas sendo vulgar a sua presença nas proteínas animais e menos frequente nos vegetais.
Actualmente a alimentação animal é muitas vezes complementada com Lisina sob a forma levógira , tornando-se necessária , quando os problemas digestivos perturbam a sua absorção a nível intestinal. A Lisina possui ainda uma actividade estimulante do apetite.
Conclusão:
Se pensarmos no fígado como o equivalente a uma central de reciclagem, que tem entre outras funções, a exclusiva responsabilidade de transformar todos as substancias nocivas que ingerimos, e aquelas que resultam da transformação dos nutrientes que ingerimos regularmente. E se pensarmos nas células hepáticas como filtros de alta tecnologia capazes de em simultâneo remover e neutralizar as toxinas que retiram da circulação sanguínea, compreenderemos mais facilmente a vantagem de através da via nutricional podermos promover e ou auxiliar, um regular e melhor funcionamento das referidas células hepáticas.
Os erros ou os excessos nutricionais resultantes de uma alimentação abundante e mal equilibrada dos cães e dos gatos (ou de uma noite de “loucura” junto dos restos encontrados no caixote do lixo), provoca frequentemente perturbações digestivas diversas. O que torna muitas vezes necessário o recurso a um auxiliar e estimulante das funções hepáticas, com o objectivo de promover um regresso à normalidade.
Podemos concluir que, estes cinco extractos vegetais quando devidamente preparados e associados ao sorbitol e á lisina, conseguem uma actuação complementar como protector hepático e digestivo com acção diurética, colagoga, coleréctica, anti-espasmódica e laxativa.
Bibliografia:
“Segredos e virtudes das plantas medicinais “
“O poder curativo das vitaminas e dos minerais “

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